Estou sentada à mesa da cozinha, tentando me inspirar para escrever alguma coisa e ping, ping, tem algo me torturando ping, ping, ping.
Fechada com displicência a torneira pinga, ping, teimando em dar o ar de sua graça, sem graça. ping, ping.

Tô com uma preguiça danada de ir até lá e acabar com a sinfonia , mas essa música não ajuda a me concentrar.
Levanto os olhos e encaro a torneira como a lhe dizer: - "Por que no te callas?" mas ela continua lá, impassível, nem me olha.
Desisto de tentar fazer com que ela obedeça ao meu pensamento. Levanto.
Caminho decidida até a pia e fecho a maldita torneira com força. Tá vendo só? Venci. Volto confiante ao meu lugar.
Ao me sentar, encaro a dita cuja com ar de superioridade. Mas a danada ri de mim, pois guardou 3 gotas d'água em seu interior e as solta agora, vagarosamente, zombando de mim que a fito calada do outro lado da cozinha.
É. Chegou o dia da torneira debochar de mim. O que mais virá daqui pra frente...?
*Texto originalmente publicado no blog KTRALHAS em 18/08/2010.