quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

O Monstro da Cortina.

O monstro da cortina
Nesta foto, eu sou o bebê no colo da minha madrinha Gina
 ao lado de minha mãe. Ao fundo, a amedrontadora cortina,
que me acompanhou por quase 20 anos.
Foto: Arquivo pessoal 13/12/1970

 Era uma cortina feia. Escura, com uns desenhos estranhos e indecifráveis a cada 30cm do pano. Para completar, um babado feito com o mesmo tecido horroroso.
Esta cortina "enfeitou" o meu quarto durante muitos anos.

Cresci sem entender muito bem o tal desenho e dentre muitas teorias acabei acreditando ser um monstro bem feio. Vários monstros se repetiam, se espalhavam por toda a cortina e ficavam maiores e mais assustadores à noite. Morria de medo da tal cortina. Quando as luzes se apagavam, a penumbra deixava aquela coisa ainda mais aterrorizante. Me encolhia na cama, fechava os olhos com força e tentava não pensar. Rezava pedindo a proteção do meu anjinho da guarda.

Quando fui ficando maior, adotei a estratégia de ficar de costas para a cortina, sem vê-la o medo era menor. Lembro de ter feito queixa à mãe uma ou duas vezes, mas ela ria e eu me sentia desamparada diante do monstro da cortina.

Um belo dia, já crescida, resolvi encarar a tal criatura. Caminhei decidida de encontro à cortina e munida de muita coragem encarei a fera de perto, de frente. Imaginem minha cara de espanto quando percebi que o tal monstro nada mais era do que flores? Três ou quatro rosas juntas num estranho bouquet repetiam-se por todo o tecido.
 
Passado o espanto, achei graça daquilo. Até comecei a achar a tal cortina "bonitinha". Mas gostei mesmo foi quando a mãe deu um jeito de sumir com aquilo.

*Texto originalmente publicado no blog KTRALHAS em 24/08/2010.